Se você está pensando em comprar ou alugar um imóvel comercial na Grande Vitória, vai precisar de muita paciência e sola de sapato. Simplesmente porque a oferta é reduzidíssima.
Veja só: a taxa de vacância normal de imóveis comerciais gira em torno de 15%, em todo o Brasil, segundo informação do, gerente regional da Rossi, Breno Peixoto. Na Grande Vitória, esse índice está abaixo de 8%, segundo pesquisa da construtora. Em Vitória o número é ainda menor, menos de 4%. E na Enseada do Suá, um dos bairros mais visados no segmento comercial, o índice é de 1%.
Todos esses percentuais significam que há necessidade urgente de lançamentos comerciais na Região Metropolitana. O último Censo do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES) confirma esse déficit: em novembro de 2009, das 1.129 unidades em construção, 1.016 estavam vendidas, aproximadamente 90%.
Essa demanda reprimida foi o bastante para elevar o número de lançamentos comerciais. O mercado imobiliário se movimentam para lançar cerca de 4 mil unidades nos próximos quatro anos, sendo 1.000 unidades ainda em 2010, segundo estimativa do diretor imobiliário da Lorenge, Evan Edelstein. E a Enseada do Suá deve continuar na preferência dos investidores.
Salas, lojas e apartamentos em um mesmo empreendimento
Preocupados com o agravamento dos problemas de mobilidade da Grande Vitória, os capixabas estão cada vez mais interessados em morar perto do local de trabalho. Para o diretor imobiliário da Lorenge, Evan Edelstein, os empreendimentos mistos devem dominar os lançamentos do mercado nos próximos anos.
"A ideia é ter lazer, residência, lojas e salas em um só lugar", destaca Edelstein. Depois de vender um empreendimento desse padrão em Laranjeiras, a empresa agora se prepara para lançar outro semelhante em Jardim Limoeiro, também na Serra.
Como é perceptível, nem só de Enseada do Suá vive o mercado imobiliário comercial. Além da Serra, já citada, na Praia da Cost há outro exemplo de vendas rápidas. Há quatro meses, um lançamento da Orion de 56 unidades foi vendido em apenas 24 horas pela Francisco Rocha Imóveis.
Recentemente, o lançamento de uma torre comercial da Sá Cavalcante, também na Praia da Costa, vendeu 90% das unidades no dia do lançamento. A razão é simples: "A região não tinha empreendimento nem para alugar, quanto mais para vender", declara o presidente do Sinduscon-ES, Constantino Dadalto.
Para o diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, Rodrigo Almeida, Vila Velha deve receber grande número de lançamentos comerciais nos próximos anos.
"A Prefeitura entrou nisso e fez uma legislação de incentivo à construção de prédios comerciais, dando isenção de IPTU e outros benefícios. A ideia é acabar com a ideia de que Vila Velha é uma cidade-dormitório", lembra.
A valorização de unidades comerciais deve girar em torno dos 12% ao ano, estima o diretor da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Charles Bitencourt.
De cabeleireira a investidora em imóveis
Dona de um salão de beleza há anos, Áurea Oliveira, 53, soube do lançamento de unidades comerciais no Centro Empresarial Praia da Costa Torre Sul e não titubeou na escolha.
"Tenho o sonho de montar um centro de estética, ampliar meu negócio e vi que conseguiria comprar uma sala sem passar aperto", narra a empreendedora.
Com boa percepção, Áurea notou a falta de lançamentos comerciais no município e teve certeza de que era a hora de investir. Não satisfeita com isso, fez propaganda da novidade e convenceu clientes advogadas e médicas a investir no mesmo lugar.
"Eu vi que havia uma carência muito grande para salas comerciais. Agora que encontrei um preço acessível, pretendo comprar outras, para alugar e aumentar minha renda no futuro", projeta a empreendedora.
Imóveis atendem a vários perfis
Os empreendimentos comerciais atendem a quatro perfis diferentes de compradores. A maior parte compra para usar as salas, outros, porém, compram para vender ao fim da obra ou a longo prazo, lucrando com a esperada valorização de 12% ao ano, enquanto outros compram para incorporar o aluguel à renda mensal. Com o crédito facilitado e o aumento dos prazos de financiamento, as parcelas saem a partir de R$ 600, declara o diretor imobiliário da Lorenge, Evan Edelstein. "Com o valor acessível, até mesmo a classe média começa a investir nesse tipo de unidade", detalha.
Mercado 4% de déficit
É a taxa de vacância de Vitória, metade do valor recomendado por especialistas do mercado imobiliário.
12% a mais
É a média de valorização dos empreendimentos comerciais na Grande Vitória.
R$ 4.500 é o preço
Mínimo do metro quadrado das unidades comerciais disponíveis. |